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sábado, 24 de março de 2012

Teatro de uma vida - Clarice #4


Em algum período do tempo Clarice perdeu o tilintar. Depois de muito correr, muito lutar, crer e realizar, o seu trabalho foi feito. Os protagonistas se tornaram expectadores, logo ela e outros entram em cena.
- Onde está o roteiro?
- Seria uma peça de improviso?
Escrever se tornou se tatuar. O que ela recentemente teria aprendido.
Os diretores cobram. Pedem mais perfeição. Os holofotes cegam. A visão do palco é estranha.
- O que estão combinando lá atrás?
- Quem são essas pessoas na platéia?
As do palco se contorcem, declamam textos que lhe parecem familiar, pulam, dançam, brilham, cantam...
É a sua vez.
Ela chora. Faz parte do seu show, mas nenhuma reação alheia.
Ela grita. Nada. Ela não consegue ter expressões convincentes. Sai do palco. Mandam que volte, pois ela não manda nada.
Quando o show acaba, não recebe o cachê.
E em casa, vai fazer o seu monólogo.

Larissa Calheiros

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